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sábado, 23 de junho de 2012

Atividades Interativas para desenvolver com aluno autista



Esta página contém uma série de exemplos de atividades que podem ser criadas dentro do quarto de brincar / interagir do Programa Son-Rise® para auxiliar crianças e adultos com autismo a interagir e desenvolver suas habilidades sociais. As atividades abaixo estão divididas em duas partes, atividades com metas educacionais variadas e atividades com metas específicas da área da comunicação verbal. Recomendamos que a leitura das atividades siga a ordem apresentada nesta página:



ATIVIDADES INTERATIVAS EDUCACIONAIS
As atividades abaixo são exemplos de atividades interativas criadas dentro do quarto de brincar / interagir do Programa Son-Rise®. As atividades podem ser adaptadas para a faixa etária, interesses e estágio de desenvolvimento social de cada criança ou adulto com autismo. As metas educacionais de algumas atividades também podem ser modificadas de acordo com as necessidades de cada pessoa. Por exemplo, no Pega-Pega Surpresa, a meta apresentada é o aumento do contato visual, mas poderia ser também a comunicação verbal, e o facilitador então solicitaria que a criança, ao invés fazer contato visual através dos buracos do lençol, falasse uma palavra ou uma sentença para dar continuidade ao pega-pega, de acordo com o estágio de desenvolvimento da comunicação verbal da criança. 

Identifique o estágio de desenvolvimento social da criança ou adulto com autismo (ver Modelo de Desenvolvimento do Programa Son-Rise) e elabore atividades divertidas e apropriadas às necessidades de cada pessoa.

Mariana Tolezani com uma criança

1. Caça ao Quebra-Cabeça

Meta: Inspirar um aumento do intervalo de atenção compartilhada.

Motivações / Interesses: Figuras, quebra-cabeças e passeios no colo ou de cavalinho.

Preparação: Imprima da internet ou desenhe uma versão grande de um dos personagens favoritos da criança (Barney, um dos Backyardigans, Mickey, etc.). Plastifique com papel contact (para tornar o material mais durável) e corte e pedaços para fazer um quebra-cabeça. Quando você entrar no quarto, coloque as peças do quebra-cabeça em alguns pontos da prateleira.

Início da Atividade: Quando a criança oferecer a você um “Sinal Verde para Interação”*, apresente a atividade pegando uma ou duas peças da prateleira. Explique animadamente que figura será formada quando vocês pegarem todas as peças. Diga também que a maneira de pegar mais peças é ela subir no seu colo ou costas para vocês passearem juntos pelo quarto procurando cada peça. Se a criança não subir no seu colo imediatamente, procure convidá-la outras vezes quando ela oferecer Sinais Verdes até que ela suba no seu colo.

Construção da Interação – Aumentando o Nível de Motivação: Passeie pelo quarto com a criança em seu colo (ou costas) de formas divertidas. Pegue uma peça por vez e a leve até a mesa para adicioná-la ao quebra-cabeça. Demonstre para a criança como pode ser divertido observar a figura crescer e se tornar o personagem.

Solicitação: O objetivo aqui é prolongar a duração do intervalo de atenção compartilhada da criança, portanto a única coisa a se solicitar é que a criança suba novamente em suas costas para vocês irem pegar uma nova peça. Se a criança entrar em comportamento de isolamento e repetição antes de completar o quebra-cabeça, junte-se à criança fazendo o que ela estiver fazendo. Quando ela oferecer um novo Sinal Verde, convide-a para a atividade do quebra-cabeça novamente. 
 
*Sinal Verde para Interação: Depois de um período de isolamento, a criança demonstrará estar disponível para uma interação social através de um “Sinal Verde”. Há 3 tipos de Sinais Verdes: Contato visual; Comunicação verbal; Contato físico.
Facilitadora e criança no Autism Treatment Center of America

2. Pega-Pega Surpresa

Meta: Estimular um maior contato visual (olho no olho).

Motivações / Interesses: Pega-pega ou cócegas; fantasias ou chapéus.


Preparação: Providencie uma sacola cheia de fantasias, chapéus, máscaras, asas, etc. Separe um pedaço grande de papelão ou um lençol que você possa pendurar no teto para funcionar como um biombo. Corte um ou dois buracos no papelão ou lençol no nível dos olhos da criança.

Início da Atividade: Quando a criança oferecer um Sinal Verde, apresente a atividade correndo atrás da criança de forma divertida. Adapte a atividade para incluir os interesses de sua criança. Por exemplo, se ela gosta de cócegas, corra atrás dela e faça cócegas no final.  

Construção da Interação – Aumentando o Nível de Motivação: Se a criança demonstrar que quer que você corra e faça cócegas de novo, corra para trás do papel ou lençol e esconda-se enquanto veste um chapéu ou uma peruca. Apareça com a nova fantasia e corra atrás da criança. Repita esta rotina vestindo cada vez uma fantasia diferente. Você pode fingir ser um personagem diferente com cada fantasia. Cada personagem tem uma aparência, voz, jeito de falar, de correr e de fazer cócega diferente dos outros personagens. Isto trará variação, dinamismo e suspense à atividade, tornando-a ainda mais divertida para sua criança. 

Solicitação: Quando você já tiver corrido com diferentes fantasias algumas vezes e a criança estiver altamente motivada para mais corridas suas, você pode começar a solicitar. Vá para trás do papelão ou lençol para trocar de fantasia e, antes de sair para mostrar a nova fantasia, coloque seus olhos no buraco do “biombo” e peça para a criança olhar para os seus olhos através do buraco. Assim que ela olhar, pule para fora do biombo e corra atrás dela. A cada vez que você se esconder atrás do biombo para trocar de fantasia, solicite que a criança olhe nos seus olhos através do buraco antes de você aparecer.
Facilitadora e criança no Autism Treatment Center of America

3. Pescando as Sentenças

Meta: Estimular a utilização de sentenças mais longas.

Motivações / Interesses: Atividades físicas (ex: passear de cavalinho, balançar, rodar, pular na bola grande, etc.) 



Preparação: Em letras bem grandes, escreva as sentenças que descrevem atividades que você acredita que sua criança terá interesse em participar. Por exemplo: “Eu quero passear de cavalo”, “Eu quero balançar devagar”, “Eu quero pular na estrada de buracos”, “Eu quero voar de avião”, “Faça passeio de elefante”, “Faça passeio de espirro”! Seja criativo em relação aos tipos de passeios, balanços e pulos que você pode oferecer para a criança. Escreva quantas sentenças você conseguir inventar para ações que você vai oferecer. Plastifique as sentenças para que elas possam ser reutilizadas. Depois corte as sentenças em 3 partes para criar “piscinas” de palavras / frases. A 1ª piscina irá conter os inícios das sentenças (ex: “Eu quero”, “Faça”, etc). A 2ª piscina terá as ações motivadoras (ex: “o passeio”, “balançar”, etc.). A 3ª piscina terá as palavras descritivas da ação (ex: “de cavalo”, “de avião”, “de espirro”, “devagar”, etc.). Cole um clipe de metal em cada pedaço de papel. Improvise uma vara de pescar com um pequeno imã no fim da linha. Coloque as 3 piscinas (caixas, bacias) de categorias de palavras no quarto de brincar / interagir.  

Início da Atividade: Quando sua criança oferecer um Sinal Verde, corra para a 2ª piscina (verbos, ações) e pesque você mesmo um pedaço de papel com uma palavra de ação. Leia a palavra para a criança e ofereça a ação correspondente (um passeio, balanço ou pulo). 

Construção da Interação – Aumentando o Nível de Motivação: Agora pesque uma palavra da 2ª e uma da 3ª piscina, e leia a combinação para a criança (ex: “pulo de elefante”). Ofereça esta ação para a criança. Faça isto várias vezes até que sua criança esteja motivada o suficiente para vir ajudá-lo a pescar uma palavra de cada piscina.

Solicitação: Quando sua criança estiver bem motivada dentro da atividade, você pode pedir para que ela leia a sentença inteira ou para que repita depois de você. E você oferece a ação motivadora. Esta atividade pode evoluir para um momento em que a criança não precise mais das palavras por escrito para ajudá-la a elaborar uma sentença completa.
Facilitadora e criança no Autism Treatment Center of America

4. O Incrível Repórter 

Meta: Inspirar um maior interesse em outras pessoas.

Motivações /Interesses: Jogo imaginativo, troféus, prêmios, medalhas.

Preparação: Separe para o quarto todos os brinquedos e objetos que se encaixem em uma temática de expedições / safáris (ex: binóculos, telefone velho, chapéus, cordas, mochilas, comidas de plástico, figuras de animais, etc.). Faça um mapa do território que vocês irão explorar na expedição. Faça um “Caderninho de Notas do Repórter” com perguntas que você escreveu para a criança utilizar. Estas serão perguntas que a criança fará para você quando você estiver fingindo ser personagens diversos (ex: “O que você mais gosta da vida na savana africana?”) 

Início da Atividade: Mostre o mapa para a criança de maneira muito animada e explique que um “jornal” local quer que vocês façam uma reportagem sobre animais exóticos, dinossauros, alienígenas, pessoas (o que quer que você acredite que seria mais interessante para a criança) que vivem naquele local do mapa. Inicie a atividade oferecendo à criança uma maneira simples e física de participar, por exemplo, segurar o mapa, dirigir o jipe, procurar girafas através dos binóculos, etc. Avise para a criança que quando ela voltar para a redação do jornal com a reportagem ela receberá uma medalha ou troféu do mais “Incrível Repórter”.

Construção da Interação – Aumentando o Nível de Motivação: Enquanto vocês viajam pelo território que vocês criaram, utilize os seus 3E’s* para ajudar sua criança a ficar ainda mais motivada pela atividade. Finja ser um dos animais (ou alienígenas, etc.) e se apresente à criança. Agindo como o personagem, conte animadamente sobre você, respondendo a todas as perguntas que estão escritas no “Caderninho de Notas do Repórter” sem que a criança precise fazer as perguntas.

Solicitação: Quando a criança estiver altamente envolvida na atividade, comece a pedir para ela fazer o papel do repórter mais ativamente. Estimule a criança a perguntar para você as perguntas escritas no caderno enquanto você finge ser os vários personagens que vocês encontram pelo caminho. Depois de fazer isto com alguns personagens, diga para a criança que o repórter que provavelmente ganhará o prêmio de “Incrível Repórter” será aquele que inventar novas perguntas para fazer. Encoraje a criança a fazer perguntas que não estão escritas no caderno.

* 3E’s: Uma técnica fundamental do Programa Son-Rise. Os 3E’s são Energia, Entusiasmo e Empolgação.
Mariana Tolezani no quarto de brincar com uma criança com autismo

5. A Conversa com os Dados

Meta: Conversação com conteúdo social. 

Motivação / Interesses: O assunto que sua criança goste de conversar (ex: carros, etc.).



Preparação: Faça dois dados gigantes  (caixas quadradas embaladas em papel). Um dado será o dado das “situações”, cada face terá uma situação diferente relacionada com a área de interesse de sua criança (ex: o carro quebrando, comprando um novo carro, etc.). No outro dado, escreva em cada face nomes de pessoas que sua criança conhece (ex: membros da família, voluntários do programa, o seu nome e o nome da criança).

Início da Atividade: Explique para a criança a atividade. Neste jogo, cada um tem a sua vez para jogar ambos os dados ao mesmo tempo. A combinação entre a situação e o nome da pessoa dita então o tópico da conversa. A idéia é conversar sobre como aquela pessoa específica agiria naquela determinada situação. Queremos encorajar conversas que tenham o foco em informações pessoais ao invés de informações factuais. Se você jogar os dados e obtiver a mesma combinação uma segunda vez, jogue o dado dos nomes novamente até que você tenha um nome diferente como tópico da conversa.

Construção da Interação – Aumentando o Nível de Motivação: Você joga os dados primeiro e então descreve como você acha que aquela pessoa agiria naquela determinada situação. Descreva a situação de forma animada, divertida, e bem detalhada, como se estivesse pintando um quadro da cena. Procure adicionar na sua descrição vários interesses da criança. Por exemplo, se a criança gosta de humor tipo “pastelão”, inclua na história pessoas escorregando ou deixando coisas cair, etc. Estimule a criança a ter a vez dela. Auxilie a criança a contar a história o quanto você achar necessário, e celebre quaisquer idéias ela oferecer. Continue alternando a vez entre os jogadores.

Solicitação: Quando a criança entender bem o mecanismo do jogo e estiver altamente motivada, comece a introduzir desafios maiores. Ofereça menos auxílio, fique em silêncio e espere que a criança ofereça mais idéias espontaneamente. Se a criança oferecer uma descrição apenas factual do que poderia acontecer naquela situação, ou uma descrição geral não relacionada à pessoa em questão, celebre esta descrição e solicite que ela traga elementos mais específicos para aquela história tendo em mente como aquela pessoa em particular agiria naquele contexto. Se necessário, ofereça algumas dicas relativas à personalidade daquela pessoa específica (ex: “Você se lembra como o Beto gosta de conversar o tempo todo? O que você acha que ele faria se o carro dele quebrasse?”). 


(Direitos autorais reservados ao The Option Institute and Fellowship, site www.autismtreatmentcenter.org)
Mariana Tolezani no quarto de brincar com uma criança com autismo

15 IDÉIAS DE ATIVIDADES PARA DESENVOLVER A LINGUAGEM

Os exemplos sugeridos abaixo para atividades interativas com o objetivo de desenvolver a comunicação verbal são apenas breves descrições das atividades. No Programa Son-Rise, os facilitadores procuram construir a interação e ajudar a pessoa com autismo a ficar altamente motivada por uma ação deste facilitador antes de solicitar algo dela. Por exemplo, o facilitador faz cócegas várias vezes na criança sem pedir nada para ela. Apenas quando a criança já está altamente motivada pelas cócegas e demonstra de alguma forma querer mais, o facilitador solicita algo que é um desafio para ela, como falar uma palavra isolada ou sentença, olhar nos olhos, fazer algum gesto ou performance física específica, etc. 


No momento em que a pessoa está altamente motivada por uma ação do facilitador, ela tem a motivação como sua aliada para superar suas dificuldades e desenvolver habilidades. Ela supera suas dificuldades enquanto brinca! O prazer e a diversão na interação social levam a pessoa com autismo a querer interagir cada vez mais com outras pessoas e, conseqüentemente, aprender novas habilidades sociais. Investir na conexão amorosa e divertida com a pessoa com autismo beneficia o relacionamento e o aprendizado social. Divirta-se com as atividades!


1. Ofereça variações divertidas dentro de uma mesma motivação (interesse) para permitir a repetição de uma mesma palavra. 

Por exemplo: Torne-se uma “Máquina de Apertar”. Modele a palavra “apertar” para a pessoa, pendure um papel com a palavra “apertar” na sua camiseta, ofereça várias formas de apertar a pessoa (massagem) e, quando ela estiver altamente motivada, peça para ela falar a palavra “apertar” para a “Máquina de Apertar” funcionar. Utilizando o mesmo princípio, você pode criar uma atividade onde você é a “Máquina de Comer” (que vai “comendo o pé ou mão” da pessoa) e a palavra que a pessoa fala é “comer”. Você também pode ser a “Caixa de Música”, e a pessoa fala a palavra “música” para você começar a tocar instrumentos ou cantar.
2. Pratique sons específicos da articulação de fala em uma canção. 

Por exemplo: Se a pessoa gosta da canção “Seu Lobato Tinha um Sítio”, adapte os versos para incluir sons de fala que a pessoa tem dificuldade para articular. Você pode cantar “Era ‘t-t-t’ prá cá, era ‘t-t-t’ prá lá, ia ia iou” se a pessoa tiver dificuldade em pronunciar o “T”. Você canta e convida a pessoa para cantar com você.
3. Demonstre para a pessoa que quando ela diz a palavra inteira de forma clara ela consegue mais o que quer do que quando diz aproximações da palavra. 

Por exemplo: Se a pessoa tende a omitir as consoantes iniciais das palavras, prenda um papel com a letra “C” na sua mão direita e as letras “ócega” na sua mão esquerda. Se a pessoa disser “ócega”, faça cócegas nela com a mão esquerda. Quando ela disser a palavra toda, ofereça cócegas com suas duas mãos. Você pode criar o mesmo tipo de atividade com palavras como “massagem”, “carinho”, etc.
4. Seja o médico de língua! Concentre o foco nos movimentos da língua para auxiliar uma articulação de sons mais clara. 

Por exemplo: Providencie um conjunto de fantoches e bonecos de pelúcia que abrem a boca. Você poderia até colar línguas de papel ou tecido em cada boca. Cada boneco tem uma dificuldade específica no movimento da língua. Peça para a pessoa com autismo para ajudar você a examinar a boca de cada boneco com um daqueles palitos (ou com a própria mão). Prescreva vários movimentos de língua para cada boneco. Depois de examinar todos os bonecos, faça com que um dos bonecos examine a pessoa com autismo e prescreva para ela um exercício específico de língua. Se a pessoa quiser, ela pode examinar você também!
5. Combine várias das motivações da pessoa para que a atividade seja ainda mais atraente. 

Por exemplo: Faça um cartaz com a palavra “Música” e outro com a palavra “Correr” ou “Pegar”. Modele a brincadeira jogando uma almofada em um cartaz. Jogue na palavra “Música” e comece a tocar um instrumento ou cantar. Jogue na palavra “Pegar” e saia correndo em direção à pessoa para um “pega-pega”. Quando a pessoa estiver altamente motivada por “música” ou “pegar”, peça para ela dizer a palavra correspondente à ação que deseja.
6. A pessoa dá as instruções para você achá-la no quarto e ganha o prêmio de “Melhor Instrutor”. 

Por exemplo: Entre no quarto com um grande chapéu na cabeça e anuncie que a pessoa acaba de ganhar um prêmio muito especial. Quando você estiver prestes a entregar o prêmio para ela, faça com que o seu chapéu cubra os seus olhos e estimule a pessoa a ajudar você a chegar até ela sem conseguir enxergar. No início, ela pode utilizar comandos simples como “para frente” e “para trás”. Depois de um tempo, você pode se colocar atrás de obstáculos para encorajá-la a dizer “Passe por cima do banco”, ou “Pule sobre a almofada”.
7. Crie sentenças ao oferecer variações em cima de uma mesma motivação, demonstrando para a pessoa que ela consegue exatamente o que quer quando utiliza sentenças mais longas. 

Por exemplo: Crie um cartaz com a silhueta de um corpo. Nomeie cada parte do corpo com um cartão removível. Na parte de cima do cartaz, escreva “Colorir  ______”. Peça para a pessoa pegar o cartão que corresponde à parte do corpo que ela quer que seja colorida e que o coloque no espaço para completar a sentença. Quando ela estiver altamente motivada, estimule a pessoa a dizer a sentença completa. Se ela disser apenas “colorir”, responda colorindo algo fora do corpo. Se ela disser apenas “perna”, responda balançando a sua própria perna. A idéia é incentivar a pessoa a dizer “colorir perna” ou “colorir a perna” para você “entender” e colorir a perna no corpo do cartaz.
8. Escreva uma sentença em uma cartolina e a cole com fita crepe no chão. Peça para a pessoa pisar em cima e dizer cada palavra da sentença para ganhar a ação motivadora ainda mais rápido. 

Por exemplo: A sentença pode ser “Eu quero uma canção”. Quando a pessoa terminar de falar a sentença, imediatamente comece a cantar a canção favorita da pessoa. Quando você terminar aquela canção, peça para a pessoa falar a sentença de novo e, quando ela completar a sentença, cante uma outra canção.
9. Construa sentenças com blocos que caem no chão.

Por exemplo: Providencie blocos bem grandes (como tijolos de papel ou espuma, ou até caixas de sapato). Cole em cada bloco uma palavra da sentença “Eu quero que os blocos caiam”. Comece a construir uma torre com o bloco que tem a palavra “Eu” no chão. Continue a construir a torre e a sentença assim por diante. Quando a pessoa disser a sentença completa, faça com que a torre desabe de forma divertida.
10. Pegue palavras para combiná-las em uma sentença e então dramatizar a ação de cada sentença. 

Por exemplo: Monte um trilho de trem em volta do quarto e a cada estação ofereça para a pessoa um série de opções de cartões com uma palavra em cada um. Peça para a pessoa escolher uma das palavras e colocar o cartão como carga no trem. Quando o trem chegar ao fim da linha e tiver algumas palavras nele, ajude a pessoa a combinar as palavras e criar uma sentença para falar. Depois de criada a sentença, você dramatiza a cena correspondente. Por exemplo, a sentença é “O macaco pula na floresta” e você pula pelo quarto dançando e cantando como um macaco.
11. Invente uma canção sobre um tópico que é do interesse da pessoa e peça para ela completar com palavras ou sentenças de forma a estimular sua comunicação verbal espontânea.

Por exemplo: Invente uma canção sobre a Barbie viajando pelo mundo. Você pode utilizar a melodia de uma canção conhecida e modificar a letra. Quando a pessoa estiver altamente motivada, experimente deixar “espaços” em silêncio para ver se ela completa com alguma palavra espontânea.
12. Invente uma história engraçada e até sem sentido para estimular a fala espontânea. 

Por exemplo: Faça uma pilha de cartões com uma palavra em cada um, palavras relacionadas aos interesses da pessoa. Inclua cartões que contenham apenas um ponto de interrogação. Escreva então uma história com a pessoa em uma cartolina. Escreva meia sentença e faça uma pausa. Pegue um cartão e use a palavra para completar a sentença. Se você pegar um ponto de interrogação, você ou a pessoa podem inventar qualquer palavra para escrever naquele ponto da história. Quanto mais engraçada e sem sentido a história melhor!
13. Estimule sentenças mais completas e espontâneas encorajando a pessoa a inventar histórias engraçadas. 

Por exemplo: Faça duas pilhas de cartões. Uma pilha contém figuras de pessoas fazendo diferentes ações. A outra pilha contém figuras de diversos objetos. Comece pegando um cartão de cada pilha e crie uma sentença que associe uma palavra com a outra. Por exemplo, você pega um cartão de um homem cortando a grama e outro de uma escova de cabelo. Você poderia então dizer “O Beto esqueceu que ele tinha uma máquina de cortar grama e usou a escova de cabelo para cortar a grama do jardim”. Convide a pessoa para fazer uma sentença na vez dela.
14. A pessoa com autismo é o entrevistador de um programa de rádio! Encoraje a conversação através da dramatização de vários personagens.

Por exemplo: Traga um gravador para o quarto e represente os diversos personagens que serão entrevistados pela pessoa. Você pode representar o elenco de um filme ou livro favorito. Estimule a pessoa a entrevistá-lo por 3 minutos. Se ela mudar o assunto, pare de gravar e a estimule a voltar para o assunto da entrevista.
 
15. Jogue “Boliche de Conversa” para praticar a habilidade de alternar a vez de falar sobre um assunto. 

Por exemplo: No fundo de cada pino de boliche está escrito um tópico para conversa (ex: férias, o mar, seu melhor amigo, etc.). A cada vez que você derrubar os pinos, escolha um deles e fale sobre o respectivo tema por 1 minuto. Você pode utilizar um cronômetro durante a atividade.

(Direitos autorais reservados ao The Option Institute and Fellowship © 2004, site www.autismtreatmentcenter.org)
© 2011 Inspirados pelo Autismo -- Contato: info@inspiradospeloautismo.com.br

segunda-feira, 18 de junho de 2012

MÉTODO SON-RISE - DOWNLOAD

Download Modelo de Desenvolvimento

Clique aqui para fazer o download do Modelo de Desenvolvimento do Programa Son-Rise®

AUTISMO - MÉTODO SON-RISE

Princípios do método The Son-Rise Programa

Princípios que fazem do programa THE SON-RISE PROGRAM® um método único e efetivo de tratamento do Autismo


    • O potencial da sua criança é ilimitado.
      Não acreditamos em “falsa” esperança. Não podemos prever o que cada criança vai alcançar, mas não aceitamos que a alguma criança ou pai seja dito aquilo que não vai alcançar. Nenhum pai deve ter de pedir desculpas por acreditar na sua criança.
    • O Autismo nunca é uma perturbação comportamental:
      É uma perturbação relacional e interativa. Na sua essência, é um desafio neurológico em que as crianças têm dificuldades de relacionamento e de conexão com as pessoas à sua volta. A maioria dos chamados desafios comportamentais tem a sua origem neste défice relacional. É por isso que a nossa dinâmica, entusiasmo e método de brincadeiras focam tão intensamente a socialização. Claro que queremos que se divirta com a sua criança, mas mais importante, queremos que a sua criança se divirta consigo.with child
    • Motivação, e a não repetição, são a chave de toda a aprendizagem.
      Muitas das abordagens tradicionais são “contra o cérebro”, tentam formatar as crianças ensinando-as através da repetição infinita. Em vez disso, procuramos as motivações específicas de cada criança e usamo-las para lhes ensinar as competências que necessitam de adquirir. Assim, temos não só a participação voluntária da criança, mas também um período de atenção mais longo e aumento das suas competências.
    • Os comportamentos repetitivos (stims) da sua criança  tem uma enorme importância e valor.
      Temos um profundo respeito e aceitação pelas nossas crianças. Isso permite-nos atravessar a barreira que separa o seu mundo do nosso, fazendo algo ousado e pouco usual. Em vez de a parar, juntamo-nos à criança nos seus comportamentos ritualistas e repetitivos. Fazendo isto, criamos afinidades e ligação, a plataforma de toda a educação e desenvolvimento futuro. Ao participar com a criança nestes comportamentos, promovemos o contacto ocular, desenvolvimento social e inclusão de outros nas brincadeiras.
    • A sua criança pode evoluir no ambiente adequado.
      A maioria das crianças dentro do espectro autista está sobre-estimulada por uma quantidade de distrações que a maioria de nós nem sequer repara. Iremos mostrar-lhe como criar um ambiente livre de distrações e onde as interações sejam facilitadas. Paralelamente, este quarto de jogos/trabalho (playroom) fará diminuir as situações de “conflito” e tensão que inibem o progresso e a interação adequada, possibilitando não só o desenvolvimento, como também uma interação mais próxima, que os pais tanto anseiam.
Your child can progress in the right environment
    • Os pais e profissionais são mais efetivos quando se sentem confortáveis, e otimistas acerca das capacidades da sua criança e com esperança relativamente ao seu futuro.
      Muitas vezes, os pais são confrontados com diagnósticos assustadores e pessimistas relativamente à sua criança. É-lhes dito o que a criança nunca irá fazer e o que nunca poderá ter. Não aceitamos que alguém possa dizer o que a criança nunca irá alcançar. Ajudamos os pais a focarem-se na atitude e a recuperar o otimismo e a esperança. Ajudamo-los a ver o potencial da sua criança e assim conseguirem definir objetivos. Nesta perspectiva, vimos já que tudo é possível. Adicionalmente, aos profissionais, muitas vezes não é dada a ajuda  a orientação que necessitam para que possam ajudar a criança com quem estão a trabalhar. Compreendemos a pressão com que os profissionais lidam diariamente e, deste modo, poderemos dar-lhes uma fórmula que lhes permita sentirem-se com a energia e força e fornecer-lhes as ferramentas para que possam ajudar também as crianças com quem trabalham.
    • O The Son-Rise Program® pode ser efetivamente combinado com outras terapias complementares tais como: Intervenções Biomédicas; terapias sensoriais; Dietas sem Glúten e sem Caseine, Terapias de integração auditiva entre outras.
      O The Son-Rise Program® foi desenhado de forma a poder ser adaptado às necessidades de cada criança. Tendo trabalhado com milhares de crianças, com uma diversidade de desafios, observamos que sempre que são incluídas e aplicadas outras terapias, utilizando os princípios do The Son-Rise Program® , a intervenção é muito mais eficaz do que quando utilizada isoladamente. Algumas abordagens, que tem princípios diferentes daqueles que defendemos, têm demonstrado ser contra prudocentes no sucesso do programa e confundem a criança. Podemos ajudá-lo a definir a intervenção mais eficaz para a sua criança.
    •  
    • FONTE:  http://www.vencerautismo.org/principios-do-metodo-son-rise/

O Método Son-Rise

Por Luisa Guirado

O método Son-Rise tem como base a relação interpessoal, uma vez que a dificuldade nesta área é característica de pessoas com autismo. Este método foi criado na década de 70, em decorrência da experiência que Bears e Samahria Kaufman tiveram com o filho, Raun Kaufman, diagnosticado com autismo severo. Eles ficaram com o filho 12 horas por dia, 7 dias por semana, no cômodo com menos estimulação da casa, o banheiro, repetindo os rituais de comportamento. Após quatro meses, exames o caracterizaram como uma criança típica, mas, ainda assim, eles mantiveram o trabalho com o filho por mais dois anos, para certificarem-se de sua cura.
A chave do tratamento foi juntar-se a criança em seus comportamentos repetitivos mostrando amor incondicional por ela e, lentamente, convidando-a a sair de seu mundo através das próprias motivações que ela apresentava (SICILE-KIRA, 2004).
Não se trata de um método fácil, pois este não apresenta técnicas para serem aplicadas com a criança. Na verdade, é uma maneira de se relacionar com ela que parte de alguns princípios que têm a finalidade aumentar o contato visual, a comunicação, interação e atenção. São eles:

• buscar dicas da criança sobre temas de que ela goste e ajudá-la a desenvolver e construir seus talentos, habilidades e interesses. Isto é, deixar que ela guie o processo, descubra e explore a si mesma no mundo, de modo que ela se torne o professor, e, com isso, sinta-se mais motivada a explorar e se desenvolver (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• ter em mente que as habilidades específicas agora são menos importantes do que a do impacto de longo percurso de encorajamento a uma criança participativa e motivada (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• celebrar cada tentativa de interação, mesmo se for pequena (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• não julgar os comportamentos da criança (bom/ruim, certo/errado), pensar que ela está fazendo o melhor que ela pode, da maneira que ela consegue fazer (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• ser extremamente flexível; se a criança mover-se em outra direção, diferente daquela em que estávamos com ela, deixe de fazer o que estava fazendo e junte-se a ela (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• estar presente de corpo e mente, ficando a vontade, sendo criativo, divertido e disponível (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• usar os três E?s: Energia, Excitação (emoção), Entusiasmo (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• não pedir/solicitar nada enquanto estiver focado na vinculação, pois o foco de interesse é estar com o outro e conhecê-lo (KAUFMAN, Decision making in the playroom);
• aceitar os comportamentos chorar e reclamar, mas não deixar que sejam percebidos pela criança como uma forma de conseguir coisas e mover pessoas. Para isto, é necessário ter um comportamento neutro, dizendo, por exemplo, que não entende o motivo de ela estar se comportando daquela maneira.
O tratamento deverá ser realizado em um ambiente com baixa estimulação sensorial, estando presente no momento apenas um adulto e a criança. Os brinquedos devem ficar em prateleiras para diminuir a distração e estimulação, e devem preencher os critérios: a) durabilidade, resistentes para não quebrar, amassar ou mastigar; b) não devem funcionar como distração, tendo cores chamativas, luzes ou fazerem barulho; c) devem encorajar a interação. Eles pode ser: fantasias, instrumentos musicais, jogos imaginativos(fantoches, blocos), livros, jogos de tabuleiro, quebra-cabeças, bolha de sabão, bola (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998).
A participação dos pais no tratamento é bastante importante, de acordo com os Kaufman, pois eles possuem uma posição única na vida da criança. Entretanto, há muitos profissionais familiarizados com o método e que podem auxiliar neste processo realizando atendimentos domiciliares.

fonte: http://falandodeautismo.com.br/site/artigos/75-o-metodo-son-rise

sábado, 16 de junho de 2012

MÉTODO PECS


Sistema de Comunicação pela Troca de Figuras



Sabemos que os problemas com a comunicação são uma das maiores preocupações no caso do autismo. Muitas crianças com autismo desenvolvem as habilidades de comunicação mais tarde que as outras crianças e também apresentam geralmente, dificuldades imensas no desenvolvimento da fala. Para os pais é muito frustante não poder entender o que o filho quer ou precisa e a criança geralmente fica frustada, apresentando acessos de birra e outros comportamentos de risco na tentativa de se comunicar.
É claro que os pais querem que o filho seja capaz de falar, mas ao mesmo tempo sabem que falar não é a única forma de se comunicar. Quando pensamos em uma criança sem problemas de comunicação, sabemos que ela pode se comunicar muito antes que ela possa falar uma única palavra.
O PECS foi desenvolvido nos EUA pelo psicólogo Andrew Bondy e pela fonoaudióloga Lori Frost. Eles viram que muitas crianças com autismo tinham dificuldade com imitação, especialmente a imitação verbal (imitar palavras) e mesmo aquelas que eram capazes de imitar, geralmente não usavam as palavras para se comunicar espontaneamente. Bondy e Frost queriam encontrar uma maneira de ajudar as crianças com autismo a se comunicar de uma forma funcionalmente fácil e socialmente aceitável. Também queriam encontrar uma forma de fazê-lo que fosse fácil para os pais e outras pessoas aprenderem e entenderem, dando à criança a possibilidade de se tornar mais integrada socialmente e ao mesmo tempo mais independente.
O Sistema de PECS pode ser utilizado em conjunto com qualquer método terapêutico, como ABA, Floortime, TEACH.


O PECS foi originalmente desenvolvido para crianças do espectro do autismo em idade pré-escolar, mas está atualmente sendo usado por crianças e adultos com transtornos do espectro do autismo e outros diagnósticos que apresentem dificuldades com a fala e a comunicação.
O PECS é dividido em 6 fases. Na 1ª fase, o objetivo é o de permutar a figura. Mais tarde a criança aprende a generalizar essa habilidade de forma que possa se comunicar com um grande nº de pessoas diferentes, em diferentes lugares e por diferentes motivos. Eventualmente, a criança poderá produzir sentenças com as figuras em uma "tira" de sentenças e poderá expandir o vocabulário.
O PECS dá à criança a possibilidade de expressar suas necessidades e desejos de uma maneira muito fácil de entender. Muitas crianças que começaram a utilizar o PECS também desenvolvem a fala como um efeito colateral, claro que é um efeito colateral muito agradável!

                                                                       Ulrika Aspeflo ( Leg. Logopede Utbildningscenter Autism, Suécia)
                                                         Foi publicabo no BAB - Boletim Autismo Brasil n.3, de agosto de 2005.

Excelente link com figuras para todas ou a maioria das situações. Quem se interessar deve imprimir, aumentar, colar em papel cartão, passar contact e por velcro para fixação e utilizá-los em áreas fixas em casa ou em tiras tipo zig-zag ou sanfona, fáceis de transportar.
FONTE:  http://rafaelheroi.blogspot.com.br/2011/04/metodo-pecs.html

MÉTODO SON-RISE - UMA SOLUÇÃO PARA O AUTISMO

http://www.youtube.com/watch?v=dOyO-trML5k&feature=player_embedded

MÉTODO ABA


Método ABA - Apresentação

Quem pode se beneficiar com ABA?
O tratamento com Aba tem beneficiado todo o tipo de aprendiz em todas as idades, com muita ou pouca habilidade, em várias questões diferentes. No começo dos anos 60, começou-se a se trabalhar com a análise do comportamento em crianças autistas e com outras desordens do desenvolvimento. Desde aquela época, uma grande variedade de técnicas de ABA tem sido desenvolvida para construir o aprendizado em crianças autistas de todas as idades. Essas técnicas são usadas tanto em situações mais estruturadas e formais como nas situações mais naturais, tipo as situações do dia-a-dia e tanto na situação de 1 pra 1, como nas instruções em grupo.O uso dos princípios e técnicas da ABA para ajudar pessoas com autismo terem uma vida mais feliz e produtiva se expandiu rapidamente nos últimos anos. Hoje, ABA é amplamente reconhecido como seguro e efetivo no tratamento do autismo.
ABA tem sucesso com autistas adultos?
Sim. Documentos de pesquisa mostram que várias técnicas de ABA são efetivas em construir habilidades em crianças, adolescentes e adultos com autismo e desordem relacionadas. E ainda, os métodos de ABA são úteis em ajudar as famílias a lidar com muitos comportamentos difíceis que podem acompanhar o autismo, sem os efeitos colaterais de drogas. Nos EUA muitos desses indivíduos adultos com acompanhamento de ABA aprenderam a desenvolver alguma atividade voltada pro trabalho e a ter uma ótima participação em suas comunidades.

De acordo com o Departamento de Saúde do Estado de Nova Yorque, procedimentos derivados da análise do comportamento são essenciais em qualquer programa desenvolvido para o tratamento de indivíduos diagnosticados com autismo. A academia nacional de ciências dos EUA, por exemplo, concluiu que o maior nº de estudos bem documentados utilizaram-se de métodos comportamentais. Além disso, a Associação para a Ciência do Tratamento do Autismo dos Estados Unidos, afirma que ABA é o único tratamento que possui evidência científica suficiente para ser considerado eficaz.
O tratamento ABA envolve o ensino intensivo e individualizado das habilidades necessárias para que o indivíduo possa adquirir independência e a melhor qualidade de vida possível. Dentre as habilidades ensinadas incluem-se comportamentos sociais, tais como contato visual e comunicação funcional; comportamentos acadêmicos tais como pré-requisitos para leitura, escrita e matemática; além de atividades da vida diária como higiene pessoal. A redução de comportamentos tais como agressões, estereotipias, auto-lesões, agressões verbais, e fugas também fazem parte do tratamento comportamental, já que tais comportamentos interferem no desenvolvimento e integração do indivíduo diagnosticado com autismo.
Durante o tratamento comportamental (ABA), habilidades geralmente são ensinadas em uma situação de um aluno com um professor via a apresentação de uma instrução ou uma dica, com o professor auxiliando a criança através de uma hierarquia de ajuda (chamada de aprendizagem sem erro). As oportunidades de aprendizagem são repetidas muitas vezes, até que a criança demonstre a habilidade sem erro em diversos ambientes e situações. A principal característica do tratamento ABA é o uso de conseqüências favoráveis ou positivas (reforçadoras). Inicialmente, essas conseqüências são extrínsecas (ex. uma guloseima, um brinquedo ou uma atividade preferida). Entretanto o objetivo é que, com o tempo, conseqüências naturais (intrínsecas) produzidas pelo próprio comportamento sejam suficientemente poderosas para manter a criança aprendendo. Durante o ensino, cada comportamento apresentado pela criança é registrado de forma precisa para que se possa avaliar seu progresso.
O uso da Análise Comportamental Aplicada voltada para o autismo baseia-se em diversos passos: 1- avaliação inicial, 2- definição de objetivos a serem alcançados, 3- elaboração de programas/procedimentos, 4- ensino intensivo, 5- avaliação do progresso. O tratamento comportamental caracteriza-se, pela experimentação, registro e constante mudança. A lista de objetivos a serem alcançados é definida pelo profissional, juntamente com a família com base nas habilidades iniciais do indivíduo. Assim, o envolvimento dos pais e de todas as pessoas que participam da vida da criança é fundamental durante todo o processo.
Concluindo, ABA consiste no ensino intensivo das habilidades necessárias para que o indivíduo diagnosticado com autismo ou transtornos invasivos do desenvolvimento se torne independente. O tratamento baseia-se em anos de pesquisa na área da aprendizagem e é hoje considerado como o mais eficaz.
FONTE: http://rafaelheroi.blogspot.com.br/2011/04/metodo-aba.html

MÉTODO PADOVAN


MÉTODO PADOVAN DE REORGANIZAÇÃO NEUROFUNCIONAL

Beatriz A. E. Padovan
“Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis elementares do Universo – o único caminho é a intuição. O mecanismo do descobrimento não é lógico nem intelectual – é uma iluminação súbita, quase um êxtase. Em seguida, é certo que a inteligência analisa e a experiência confirma a intuição”. 
Einstein

O Método Padovan de Reorganização Neurofuncional foi criado no início da década de 70, por Beatriz Padovan, pedagoga e fonoaudióloga brasileira
Podemos dizer que a história de um método começa, em princípios, com a história de seu criador.
De fato, a história do Método Padovan não desmente essa afirmação. Sua criação teve origem numa insatisfação da Autora com a prática terapêutica aprendida na faculdade de Fonoaudiologia, a qual, note-se, podia ser considerada na época (1970) uma das melhores do País.
Nossa história começa quando a Autora exercia o magistério na Escola Waldorf Rudolf Steiner (naquela época, Escola Higienópolis), escola esta que pratica a Pedagogia Waldorf, baseada na Antroposofia.
Tinha ela a seus cuidados uma classe de trinta e dois alunos e, dentre estes, havia cinco que, apesar de inteligentes, tinham muita dificuldade de aprendizagem. Pareciam aprender o que se lhes ensinava mas, nos dias seguintes, não mais se lembravam do que lhes fora ensinado.
Passou a Autora, preocupada com o rendimento desses alunos, a dar-lhes aulas de reforço, por sua própria conta. Enquanto recebiam esta ajuda, conseguiam acompanhar com menos dificuldade as aulas. Se parasse com as aulas extras, eles regrediam.
Resolveu então a Autora acompanhar as aulas que esses alunos tinham com outros professores. Constatou que eles apresentavam, também, dificuldades semelhantes, principalmente no que se relacionava com atividades físicas e artísticas. A parte motora era bem prejudicada, demonstrando falta de coordenação além de grande hiperatividade. Não conseguiam controlar a atenção, a concentração e o comportamento.  Assim, nas aulas de educação física, jogos, trabalhos manuais e Euritmia, que exigiam movimentos coordenados, eles não conseguiam acompanhar adequadamente.
Um desses alunos mudou-se para a Alemanha. Tempos depois, a mãe desse aluno escreveu dizendo que ele fora diagnosticado como portador de “dislexia”, distúrbio praticamente desconhecido, naquela época, para professores. Procurou a Autora se informar sobre o assunto e soube que esse distúrbio era tratado pela Fonoaudiologia.
E lá se foi ela, deixando de lecionar na Escola Waldorf, fazer o curso de Fonoaudiologia na Escola Paulista de Medicina (atual Escola de Medicina da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP). Um curso, aliás, muito bem dado em sua parte teórica e científica, com ótimos professores e ótimos recursos técnicos e científicos. Aprendeu muito lá, sem dúvida. Mas, quanto à parte da aplicação prática terapêutica, teve uma certa decepção. Muito do que lhe fora ensinado para aplicar como terapia ela já fazia como professora Waldorf, sentindo-se mais como uma professora de luxo do que como terapeuta.
Havia aprendido na Faculdade que muitos distúrbios de aprendizagem eram devidos ao que se denominava de Disfunção Cerebral Mínima (DCM), que passou depois a ser denominada de Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA) e atualmente passou a se denominar Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
E se havia componentes neurológicos, porque iriam ser tratados como problemas pedagógicos? Não se fazia nada para os problemas motores destas crianças!... Perguntando por que não se cuidava destes problemas, teve a seguinte resposta dos professores: “Devemos fazer uma avaliação e ir tratar direto a dificuldade que o paciente apresenta”, foi a resposta. Isto parecia que a preocupação estava direcionada para o Sintoma e não para a Causa deste sintoma...
Não se sentindo bem profissionalmente, resolveu voltar ao magistério e passou a se aprofundar no estudo da Antroposofia, base da Pedagogia Waldorf, na qual sempre acreditou.
Rudolf Steiner, filósofo e pedagogo austríaco é fundador de uma filosofia que está ligada a uma concepção especial do ser humano:- a Antroposofia (do grego – antropos = homem; sofia = sabedoria).
Steiner é, com sua filosofia, a origem de inúmeros trabalhos e conferências sobre diversos domínios, tais como a medicina, a farmacologia, a astronomia, as ciências da natureza (como a agricultura), as ciências sociais, as artes, a pedagogia e outros.
No domínio da pedagogia, ele foi a origem de um novo tipo de ensino, baseado no desenvolvimento natural da criança. Fundou a primeira Escola Waldorf em l9l9, em Stuttgart, na Alemanha. Hoje, esta pedagogia é aplicada em mais de 50 países e em constante crescimento. Há por volta de 2000 estabelecimentos Steiner, de Jardim da Infância ao Secundário, passando pelos Centros de Educação Especial.
 Nessa ocasião teve oportunidade de conhecer um livro de Rudolf Steiner intitulado “A Educação e o Desenvolvimento Espiritual de Nossa Época” que continha uma série de 12 conferências proferidas por Rudolf Steiner em Ilkley, na Inglaterra, em 1923. Ao ler a 6ª conferência, que se intitula “ANDAR, FALAR e PENSAR”, a Autora conseguiu vislumbrar uma maneira adequada de trabalhar com problemas de fala, de linguagem e de aprendizagem.
Pode-se dizer que o conhecimento desta conferência foi o PRIMEIRO PASSO para a elaboração do Método. Foram ainda precisos mais outros dois grandes momentos para consolidá-lo.
O SEGUNDO PASSO pode ser chamado “Temple Fay e seus seguidores”, que vai ser exposto posteriormente.
O TERCEIRO PASSO foi dado quando a autora desenvolveu um trabalho para a reeducação das Funções Reflexo-Vegetativas Orais durante os quase oito anos em que atuou junto ao Curso de Pós Graduação em Ortodontia, na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP).

PRIMEIRO PASSO – Rudolf Steiner
Como já foi dito, a conferência “Andar, Falar e Pensar” deu origem ao Método Padovan.
Segundo a definição de Steiner nessa conferência, essas três atividades é que definem o Ser Humano como Ser Humano, isto é, o Homem é o único ser que anda ereto, que fala com uma linguagem codificada e que pensa, ou seja, é capaz de elaborar e encadear idéias e imagens. Diz ainda Rudolf Steiner que o processo do andar leva ao falar e que o processo da fala leva aopensar.
Estas três atividades acompanham o ser humano durante toda sua vida, mas tem o seu primeiro desenvolvimento (o primeiro passo para cada uma das três atividades) nos três primeiros anos de vida do indivíduo: com cerce de 1 ano a criança começa a andar, com cerca de 2 anos inicia a falar e, por volta de 3 anos, é que podemos dizer que começa a pensar. Isso por que é nessa idade, normalmente, que a criança começa a dizer “eu” para si própria. É como se, repentinamente, ela percebesse que cada um diz “eu” para si mesmo, como se estivesse fazendo uma dedução lógica. Isso é semelhante ao momento em que ela fica de pé e percebe que pode andar sem ajuda de suas mãos para se apoiar em algum lugar.
Pensou a Autora: “isto faz sentido e pode estar aqui o caminho”, pois estava procurando meios de levar as pessoas a um bem falar (que é o principal objetivo da Fonoaudiologia) e a um bem pensar, ou seja, a uma boa aprendizagem (também objetivo da Fonoaudiologia, no que diz respeito ao tratamento da Dislexia).
 
Se o processo do Andar leva ao Falar, parece óbvio ser necessário ter que trabalhar o processo do Andar para alcançar um bom Falar. Mas Rudolf Steiner não dizia qual era esse PROCESSO do Andar. Contudo, a Autora estava convencida de que o caminho seria este. Com essa idéia na cabeça, continuou estudando tudo o que se relacionasse ao assunto.


ANDAR –
Segundo Steiner, o Andar não é apenas uma prática natural de locomoção, mas algo bem mais complexo, pois erguer-se e andar ereto é apenas o traço mais visível de um processo muito complexo, o de vencer a força da gravidade e passar da posição horizontal para a posição vertical com harmonia e equilíbrio. Antes de alcançar tal conquista, a criança passa por várias fases que serão fundamentais para o domínio do espaço. Assim, ela vai vencendo, pouco a pouco, a força da gravidade, através do amadurecimento do seu Sistema Nervoso Central (SNC). Estas etapas fundamentais e naturais são: espernear sem sair do lugar, rolar, rastejar, engatinhar, ficar em pé e depois andar, o que é alcançado normalmente por volta de l ano de idade. Todas estas etapas são inerentes ao ser humano. Tudo isto a criança faz e vai dominando, porque o processo de verticalização pertence ao próprio programa genético humano. Uma criança, no seu desenvolvimento normal, não deve saltar nenhuma destas etapas.

FALAR –
O Falar, tal como o Andar, também segue todo um processo natural de desenvolvimento. Primeiro a criança se manifesta através do choro, depois com gestos (mímica expressiva) e balbucio, e aos poucos vai se aprimorando, até chegar a construir frases curtas, mas com sentido completo, por volta de 2 anos de idade. Neste momento, diz-se que a criança já está falando.
O processo do Falar depende de sincronia e harmonia de movimentos os mais refinados do corpo humano, tais como os do diafragma, da laringe, da boca (língua, bochechas e lábios) e da respiração. A Fala então está intimamente ligada à lateralidade, desde que o estabelecimento desta dominância permite o desenvolvimento da coordenação de toda a musculatura voluntária.
Assim, não se pode dissociar a musculatura laringo-faringo-bucal, ferramenta da Fala, de todo o organismo motor. Parece então evidente que o desenvolvimento da fala “nasce” do desenvolvimento do andar.
É importante lembrar que os movimentos, os gestos, podem ser instrumentos da linguagem, como no caso dos deficientes auditivos ou entre os mudos. O corpo é por si só um instrumento da linguagem, da comunicação.

PENSAR -
 “E o Pensar é continuação deste processo, manifestando-se como o reconhecimento do “EU”. É um fato real que quando a criança começa a falar, o organismo inteiro está ativo. Os movimentos exteriores se transformam em movimentos interiores de linguagem, que se transformam em pensamento” (Rudolf Steiner).
         Assim como o Falar surge a partir do Andar, o Pensar surgirá em conseqüência do Falar. Exprimimos nosso pensamento através da fala e da linguagem, mas através da linguagem é que se organiza o Pensar.

SEGUNDO PASSO – Temple Fay e seus colaboradores.
E aqui, novamente, caiu nas mãos da Autora outro trabalho. Desta vez, a obra de um neurocirurgião americano chamado Temple Fay, que iria abrir-lhe as portas para o conhecimento desse PROCESSO do Andar citado por Rudolf Steiner.
Temple Fay, célebre neurocirurgião norte-americano, dedicou sua vida ao trabalho das lesões cerebrais. Convencido de que uma intervenção cirúrgica não era o suficiente para resolver a recuperação de um Sistema Nervoso lesado, ele se rodeou de uma equipe multidisciplinar. Os mais conhecidos são Carl Delacato, Glenn Doman e Edward Le Winn nos Estados Unidos e Raymundo Veras no Brasil.
Denominou a este processo de recapitulação do desenvolvimento ontogenético de Reorganização Neurológica, nome pelo qual é conhecido até hoje, tendo tido vários discípulos e seguidores.
Este neurocirurgião viveu e conviveu com a 2ª Guerra Mundial. Com isso, teve que tratar de muitos pacientes com lesões a nível neurológico, de tratamento muito mais difícil e demorado que as lesões a nível físico. Passada a guerra, dedicou-se, com seus discípulos, a estudar principalmente crianças com e sem problemas de desenvolvimento físico e/ou mental.
Os primeiros questionamentos deste grupo foi que, para compreender um S.N. doente, era necessário que se conhecesse primeiro o S.N. saudável. O S.N. saudável de um adulto provém de um PROCESSO de desenvolvimento. E chegaram à conclusão de que este processo correspondia ao desenvolvimento de uma criança: rolar, rastejar, engatinhar, andar. Deram o nome de Organização Neurológica a este processo, pois para alcançar cada etapa era necessário um amadurecimento do S.N.C., que vai paulatinamente se organizando.
Os trabalhos de Temple Fay e sua equipe não pararam apenas no estudo do S.N. do ser humano, mas foram mais longe: eles tentaram compreender o S.N. desde o do ser mais rudimentar. Isto lhes permitiu saber de onde partia e até onde chegava o desenvolvimento do S.N.. Chegaram, então, à compreensão da Filogênese e da Ontogênese: Filogênese é a evolução do S.N. animal, a partir das espécies que possuem um S.N. mais simples até o S.N. do ser humano, enquanto a Ontogênese é a evolução do S.N. do ser humano a partir da fase embrionária. Eles chegaram a poder determinar que, sob certos aspectos, a Ontogênese recapitula a Filogênese.
Na evolução das espécies, encontra-se uma hierarquia dos seres: ela vai dos seres mais inferiores até os mais superiores. E uma espécie é superior à outra de acordo com a complexidade de seu S.N.. Cada espécie adiciona uma nova estrutura nervosa à daquela espécie imediatamente inferior.
“Todas as criaturas do mundo possuem um S.N.C. suficiente para desempenhar as funções de que elas necessitam em sua vida normal. Essas criaturas possuem, por outro lado, todo o S.N. que se encontra nas criaturas situadas a um nível inferior dentro do reino animal. Isto significa que esta criatura é munida de tudo que lhe é necessário, mas também de tudo o que foi necessário àquela espécie que a precedeu.” (Temple Fay).
Ao processo do desenvolvimento do S.N. do ser humano Temple Fay chama de Organização Neurológica.
Resumindo, diz Temple Fay: “A Organização Neurológica é esta condição fisiologicamente a melhor que é encontrada unicamente no homem, como resultado de um desenvolvimento ontogenético ininterrupto. Este desenvolvimento significa o desenvolvimento nervoso filogenético até o nível do Homem. Como acontece em todos os mamíferos, com o homem este desenvolvimento organizado progride verticalmente (de baixo para cima) ao longo da Medula Espinal e de todas as regiões do S.N.C., até o nível do Córtex. O desenvolvimento final particular do homem se realiza a nível do Córtex e leva à definição da lateralidade – o hemisfério esquerdo comando o lado direito do corpo e o hemisfério direito comando o lado esquerdo.”
Temple Fay visitou vários povos, em vários países e continentes, e observou que todas as crianças com desenvolvimento normal, não importa em que grau de cultura vivessem, faziam, desde que nasciam, os mesmos movimentos, na mesma seqüência e aproximadamente nos mesmos períodos de tempo, o que não acontecia com as crianças com problemas neurológicos.
Reunindo todos estes conhecimentos é que Temple Fay elaborou um trabalho que consistia em recapitular os movimentos que correspondiam ao processo do desenvolvimento normal de uma criança.
 Chegou à conclusão de que, se o paciente não pudesse fazer o movimento correspondente, o terapeuta executava estes movimentos passivamente (mesmo sem a colaboração do paciente), e as respostas saudáveis surgiam. Estes movimentos fazem parte do PROCESSO do desenvolvimento do Andar – são movimentos genéticos do ser humano. Assim, o terapeuta vai imitar fielmente a natureza, conduzindo os membros (braços e pernas) e a cabeça, imitando os movimentos normais e naturais de cada etapa do desenvolvimento do andar, e o paciente fica passivo a esta manipulação. A aplicação destes padrões vai permitir estimular o cérebro pelas vias SENSITIVAS ascendentes. O paciente vai receber estas informações através dos movimentos, de maneira passiva e involuntária. Quando estas informações estiverem bem imprimidas no cérebro, as respostas poderão ser executadas de maneira ativa e voluntária. Estes movimentos, que pertencem ao programa genético do ser humano, foram chamados de “padronizações”. Estas padronizações devem ser feitas obedecendo a três requisitos importantes para estimular e trabalhar a plasticidade neural: Ritmo, Repetição e Regularidade.
          Com o conhecimento do que era o Processo do Andar, a Autora já podia compreender porque os seus alunos Disléxicos tinham problemas de descoordenação motora e hiperatividade. Pode-se dizer que o “aprender ler e escrever” se encontra entre o Falar e o Pensar. Mas uma criança não vai conseguir alcançar este nível se não tiver passado pelo processo do andar de uma forma saudável, percorrendo todas as etapas deste processo.

TERCEIRO PASSO -
Aqui merece ser dito como o Destino sabe determinar bem os acontecimentos, quando está disposto a levar um indivíduo a cumprir os desígnios que ele próprio – o Destino – escolheu para cada um.
Mesmo antes de terminar o Curso de Fonoaudiologia, a Autora foi convidada por Dr. Sebastião Interlandi, então coordenador do Curso de Pós Graduação em Ortodontia da USP, a fazer um estágio e trabalhar junto ao Curso que ele coordenava. Tendo feito seu doutorado nos Estados Unidos, o Dr. Interlandi queria introduzir no seu curso a colaboração da Fonoaudiologia para tratar dos desvios das funções orais, em especial da deglutição atípica. Era um assunto muito recente nos meios científicos da época (estávamos em l969.
Os estudos sobre Tongue Thrust Swallowing (que foi traduzido por Deglutição Atípica) foram desenvolvidos no início da década de 60. Na Faculdade de Fonoaudiologia nada tinha sido falado sobre o assunto. Ao ser convidada, sem ter conhecimento da matéria, a Autora sugeriu ao Dr. Interlandi que a esperasse concluir seu curso, na esperança de que o assunto ainda fosse discutido. Mas, no curso de Fonoaudiologia (não só no da Escola Paulista de Medicina, mas em todos os outros cursos de Fonoaudiologia existentes na época em São Paulo) nada se falava da relação da Fonoaudiologia com a Ortodontia.
 O Dr. Interlandi (a quem a Autora é imensamente grata) fez, então, a indicação de uma bibliografia, recomendando o estudo da mesma, dizendo que se poderia aprender e complementar o que faltasse lá mesmo no Curso de Ortodontia.
No início, duas decepções: a primeira, por parte dos alunos do Curso de Pós-Graduação, que esperavam aprender muito com uma Fonoaudióloga; a segunda, por parte da Fonoaudióloga, que também esperava aprender muito com os futuros Ortodontistas. Ambas as partes se decepcionaram, pois os currículos de ambas as especialidades pouco, ou talvez muito pouco, continham sobre aquilo que realmente interessava a ambas as partes: o conhecimento profundo das Funções Reflexo-Vegetativas orais (FRV orais)- e da interdependência existente entre as duas especialidades: Odontologia e Fonoaudiologia.
Começou então a Autora, juntamente com o Dr. Alael de Paiva Lino, então professor do Curso de Pós Graduação em Ortodontia, os estudos sobre essas funções e tudo o mais que se relacionasse com a boca. Lá ficou por quase oito anos, assistindo, o mais que podia, a todas as aulas de ortodontia e de odontologia.
Foi lá que ficou sabendo de alguns trabalhos de americanos e franceses sobre as funções da boca – Respiração, Sucção, Mastigação, Deglutição - e da importância destas funções, quando bem estabelecidas, para manter os dentes em seus lugares corretos e não se ter recidivas após a finalização do tratamento ortodôntico, quando o indivíduo tivesse uma deglutição atípica ou respiração bucal ou, ainda, qualquer desvio das funções da boca
Nas faculdades de Fonoaudiologia daquela época (até 1970) o que se falava destas Funções e da sua importância para a produção da fala era o seguinte: “O ser humano não desenvolveu nenhum órgão específico para a produção da linguagem oral. Ele usa o Aparelho Respiratório para produzir a voz e o Aparelho Digestório para modificar esta voz, formando os vários fonemas”. Foi o que a Autora aprendeu na faculdade, sem nenhuma indicação de como restabelecer as funções que não estivessem dentro de seus padrões normais. Foi na faculdade de Odontologia que desenvolveu todo o seu estudo a respeito da importância das FRV orais (Funções Reflexo-Vegetativas orais), tanto para a Odontologia quanto para a Fonoaudiologia. Restabelecendo, corrigindo e fortalecendo estas funções, podia-se constatar que os pacientes passavam a falar de forma correta, sem necessidade de exercícios específicos ou de ficar pedindo para o paciente repetir palavras.
Poderíamos dizer que a Autora percebeu que há um processo da fala, da mesma forma que há umprocesso do andar. Naturalmente, o processo do falar deve contar sempre com o apoio do processo do andar para alcançar sua meta, do ponto de vista neurológico.
  
Pode-se dizer que o Método Padovan estava pronto, composto de duas partes:

1- Exercícios Corporais – com a recapitulação do Desenvolvimento Ontogenético – processo do Andar - que é o desenvolvimento natural e amadurecimento neurológico  de uma criança.
2.-Exercícios Orais. - correção e fortalecimento das FRV orais, funções estas sem as quais é muito difícil poder falar.

A partir destes estudos e das observações na clínica de Ortodontia da Faculdade de Odontologia é que a Autora criou o seu Método de Reeducação Mioterápica nas Pressões Atípicas de Língua – Diagnóstico e Terapêutica. Este trabalho foi apresentado pela primeira vez em janeiro/75, numa conferência proferida num Congresso de Ortodontia em São Paulo e foi publicado em 1976 naRevista Ortodontia de São Paulo (volume 9, números. 1 e 2, jan/abr e maio/ago). Nesta publicação a Autora descreve as Funções Orais e como tratá-las quando houver desvios.
Com isso, ou seja, com o conjunto dos exercícios corporais mais os exercícios das funções orais, estava criado o Método Padovan de Reorganização Neurofuncional, nome pelo qual é hoje conhecido não só no Brasil como em vários países (Alemanha, Áustria, Canadá, Espanha, França, Grécia, Marrocos, Suíça), onde a Autora dá Cursos de formação, regularmente, desde 1979.
NOTA – Os Cursos de Formação no Método Padovan, direcionados a profissionais da área da saúde, são dados em 5 módulos, de 4 dias cada um, tanto no Brasil como no Exterior. Há também cursos de informação, destinados a Educadores em geral (pais, mestres e demais interessados).